domingo, 19 de fevereiro de 2012

"Quase...
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar."
 
 Luís Fernando Veríssimo
"A maior parte de nossa felicidade depende de nossa atitude e não das circunstâncias."

Martha Washington
Não se acostume com o que não te faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

E de repente a vida te vira do avesso,
e você descobre que o avesso...
é o seu lado certo!


Caio. F. A.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Metade dos nossos erros na vida nascem do fato de sentirmos quando devíamos pensar e pensarmos quando devíamos sentir."

NATUREZA

A Natureza não me tira nada,
pelo contrario, só me presenteia,
seja a Aurora bela de todo dia.
O Crepúsculo maravilhoso
no horizonte, o Luar que me
emociona, e o Vento que me
acaricia minha alma e
refresca o meu coração.

A Natureza é bela em toda
a sua plenitude, com sua flora,
fauna e tudo mais que ela contem.

O que me tira tudo o que mais
prezo e acima de tudo o que AMO
é a “ Natureza humana “, essa sim
é travestida de sagacidade, pois
não consegue ser honesta para
me encarar e me dizer o quanto
nada representei pelo meu modo
“ careta “ de ser.

Mas, sigo cercado da Natureza
verdadeira, que só me inspira
e me emociona, para poder
em minhas poesias, tentar
transmitir o Amor que sinto,
mesmo que esse Amor agora
não mais sera correspondido.

Marco Aurelio Tisi

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Quero teu beijo!

Eu quero um beijo na boca!

Não me envergonho de admitir.
Quero um beijo gostoso.
Que me entre a língua, em chamas, um beijo louco, de súbito, que tire meus pés da terra,
e me eleve às nuvens e astros...
Tome-me em teus braços, eu trêmula, desvairada, absorta.
Faça o que nosso desejo nos predestina.
Quero teu beijo doce!
E não quero de ti muito mais, além dessa entrega intensa, e do comprimir dos lábios que satisfaz.
Toca-me com tuas suaves mãos de homem-menino, que escrevem muito bem, e têm pegada masculina...
Imprima em mim algo que traga lembranças cálidas, para minha velhice, pra minha doidice...
Eu quero teu beijo de língua!
Olha, não me envergonho de admitir.
Olho-me no espelho e sei bem o que anseio.
Esse fogo que me esvai, precisa da água refrescante que jorra da tua fonte, precisa da água benta, que apaga o pecado.
Precisa de oportunidade e lábios.
Veja bem: estou carente de um beijo!
Não me importa admitir.
Só temo te pedir.

Por: Elisa Maria Gasparini Torres

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

VENDAVAL

Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!
Indômita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!
Mas dura planície, praia atra em fereza,
Só têm a tristeza que a gente lhes vê
E nisto que em mim é vácuo e tristeza
É o visto o que vê.
Ah, mágoa de ter consciência da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles - teu pulso divida
Minh'alma do mundo!
Ah, se, como levas as folhas e a areia,
A alma que tenho pudesses levar -
Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia
De eu ter que pensar!
Abismo da noite, da chuva, do vento,
Mar torvo do caos que parece volver -
Porque é que não entras no meu pensamento
Para ele morrer?
Horror de ser sempre com vida a consciência!
Horror de sentir a alma sempre a pensar!
Arranca-me, é vento; do chão da existência,
De ser um lugar!
E, pela alta noite que fazes mais'scura,
Pelo caos furioso que crias no mundo,
Dissolve em areia esta minha amargura,
Meu tédio profundo.
E contra as vidraças dos que há que têm lares,
Telhados daqueles que têm razão,
Atira, já pária desfeito dos ares,
O meu coração!
Meu coração triste, meu coração ermo,
Tornado a substância dispersa e negada
Do vento sem forma, da noite sem termo,
Do abismo e do nada! 


Fernando Pessoa
Sou o Espírito da treva,
A Noite me traz e leva;
Moro à beira irreal da Vida,
Sua onda indefinida
Refresca-me a alma de espuma...
Pra além do mar há a bruma...
E pra aquém? há Cousa ou Fim?
Nunca olhei para trás de mim...

Fernando Pessoa

Vamos combinar assim!

Como diria uma das pessoas mais importantes da minha vida... é aquela velha história... puxar as formigas pra cima dos pés... sacas??
Durante toda a minha vida (e não consigo lembrar de nenhum momento em que não tenha agido assim) dediquei-me a tentar fazer com que as pessoas que estavam ao meu redor fossem felizes, completas, e que seguissem o caminho certo, a estrada que menos lhes causasse sofrimento... esforcei-me por colocar todos os meus amores e amigos dentro de potinhos de vidro enfeitados com afeto, carinho e compreensão!!
Acontece que, nem sempre as coisas são como a gente quer... 
Acostumei-me a ter todas as pessoas debaixo das minhas asas.. a aconselhar, orientar por causa do meu terrível medo de deixar de fazer parte da vida delas, de ser importante... necessária..
Puro egoísmo... admito!
Mas a gente aprende... eu aprendi
Aprendi que todas as pessoas precisam saber decidir sobre suas próprias vidas... precisam cair.. errar, quebrar a cara, levantar mais forte, e depois cair novamente pra mais uma vez levantar.. e assim sucessivamente.. porque só dessa forma criarão resistência, aprenderão com os próprios erros, olharão pras cicatrizes em sua pele, em seu coração, em sua alma... e assim saberão qual o caminho que deve ser trilhado para evitar novas dores, novas mágoas, novas feridas... Por mais que eu queira muito evitar que se machuquem, cada uma faz aquilo que realmente quer e que considera o melhor...
Aprendi que não sou a dona da razão... nem sei o que é melhor pra mim, imagine para os outros...
E por isso mudei... ou estou tentando pelo menos... 
Quem precisar de mim, não tenha dúvidas de que permanecerei com meus braços abertos para aquele abraço, com meu colo sempre disposto pra equilibrar sua cabeça, com meus ombros livres para que as lágrimas encontrem o caminho por onde seguir, com meu sorriso para acalmar e meu olhar pra dizer: estou aqui.. e tudo vai ficar bem!
Só não se assustem se não me virem mais querendo salvar o mundo, correndo atrás de ajudar a todos que me cercam.. Entendi que existem pessoas que não querem ser ajudadas, e que cada um sabe REALMENTE o que é melhor pra si... Daqui pra frente será assim... falarei pouco, aconselharei apenas o necessário, mas ouvirei, SEMPRE... não estranhem, eu não mudei não... minha essência ainda é a mesma.. meus sonhos e vontades também...continuarei cuidando de todos vocês meus amores.. mas de longe, de um lugar onde eu possa acompanhar todas as vitórias que conquistarem para aplaudir de pé.. mas que seja próximo o suficiente para que eu consiga segurar-lhes na hora das quedas, que, infelizmente são inevitáveis na vida de todos nós...
Serei eu.. apenas um pouco mais humana, mais consciente dos meus limites e da minha insignificância diante do magnífico do universo!!!

Expliquem-me devagar a ver se entendo!

Existem muitas coisas que me transcendem, que me custam a entender, aprendi no entanto a aceitar as coisas como são. A não travar batalhas que não me pertencem…
Verdade que é difícil, as vezes quando tomo consciência do que estou a fazer, já lá estou de espada e escudo em riste a lutar guerras que não são minhas… que me custam posteriormente largar.
Mas como em tudo, ninguém nasce ensinado e, é há base de se fazer uma e outra vez as coisas que elas se entranham em nós até se tornarem habituais e não estranhas.
Tento no entanto estar disponível para quando solicitam a minha ajuda, não conseguiria virar as costas quando me pedem a mão.
Realisticamente pouco posso fazer se quem estende a mão não estiver de facto aberto a tentar superar algo ou mesmo em ganhar a guerra… mas posso sempre ouvir… chorar junto… dar o ombro.
Mesmo sabendo na pele que raramente o oposto acontece… talvez por culpa minha que sempre me apresentei como uma muralha indestrutível e pouco humana =)
O engraçado? È que muitas vezes quem menos me conhece que sabe se estou bem ou não!
Mas algo que não entendo, é quando existe desleixo… não consigo aceitar como ainda pouco ouvi… “passei por uma fase má e desleixei-me”…
O desleixo para mim não passa de uma desistência de nós mesmos, já passei pelo Inferno e voltei, e acreditem que não é um exagero… e nunca desisti dos meus e de mim… porque assim que me olhasse ao espelho e não gostasse de mim iria entrar num poço sem fundo com mínimas opções de me levantar…
E eu já lá estive… e a luta para sair de lá levou-me parte de mim e da minha auto-estima e o que passei para a recuperar mudou em muito aquilo que sou… se para bom ou para mau é relativo, o que conta aqui é que não desejo isso a ninguém e ofende-me sobremaneira ver pessoas e rebaixarem-se porque sucumbem ao desespero… porque abraçam o desleixe.
E se fosse por momentos difíceis, mesmo não entendendo, aceitaria agora quando isso acontece numa relação porque a tomamos como certa, mói-me os fígados.
Tenho amigas e amigos que não saem… que não se arranjam… que largaram o ginásio… que perderam os amigos… que se anularam.
Tenho amigos e amigas que vivem duas vidas porque se acomodaram aquilo que supostamente é certo…
O desleixe mata, porque mina… porque destrói aquilo que mais difícil é de manter a dignidade e o amor próprio…
Por isso se alguém conseguir pode explicar-me como alguém pode deixar-se afundar nele? E que eu simplesmente não entendo.
Namasté!
 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ando!

Ando cansada de ser forte, de lutar… de sorrir sem ter vontade e dizer:
“Isto não é nada que não esteja habituada… passa!”…
Não passa… é tanto!
Apetece-me tirar a espada… soltar a armadura e vestir o meu corpo com um vestido branco de seda transparente…que me envolva…me arrepie…preencha cada contorno, cada curva… cada nódoa negra…e deixe sutilmente realçar a mulher que sou debaixo da capa de durona inabalável.
Maldita sina, a de ser guerreira, a forte do grupo…a cabra de serviço.
Preciso de parar por uns segundos, de me reencontrar…de me deitar numa cama feita pela natureza, enquanto ouço o som dos animais noturnos, também eles temidos e incompreendidos…de sentir o meu corpo ser inundado pelo cheiro das flores que se dão durante a noite, que se libertam quando as primeiras horas negras aparecem…com o seu perfume inebriante e único…deixar-me estar…incógnita do mundo enquanto absorvo o poder que o céu estrelado nos dá!
Quero com a força que tem, quem sabe que merece, alguém que me faça feliz…que me complete…que me toque no corpo e me preencha a alma…que me dê desejo de ser mulher, companheira, amante, amiga…preciso de alguém que não me queira como mãe!
Fada-se a sério a quem me conhece eu apenas posso perguntar tenho aspecto de ser “usada” apenas para mãe? Para estender a mão e passar a mão pela cabeça…
Acarinhando?
Confortando?
Eu? Que me dá nos nervos esse tipo de comportamento? A quem enerva a inércia… os pobres coitados… ou perseguidos pelo destino?
Não! Não quero cama por melhor que ela seja…e eu sei ser ótima nela…acreditem…não estou a ser hipócrita ou modesta…sei ser porque conheço o meu corpo e como reage…sei ser porque sei como fazer reagir o do parceiro… porque me entrego… porque me dou a 100%... porque não me entrego a falsos tabus, a dogmas idiotas! Sei levar a loucura… a deixar quase cair ao precipício apenas para trazer de volta…para tornar a deixar ir na direcção dele… mas sou mais que isso… sou uma ótima companhia, alguém que te absorve apenas por olhar, alguém que te faz viajar numa conversa… alguém que pode apenas ficar parada a beira-mar em silencio porque precisamos apenas de estar um pouco na companhia um do outro!
Quero e tenho direito a ter alguém que queira o pacote completo, as fúrias sem sentido… os ataques de justiceira sem aviso, as gargalhadas em momentos tristes… que me dê mimo mesmo correndo o risco de levar uma dentada porque sou teimosa demais para assumir que preciso… que o quero!
Quero alguém que venha a mim com a certeza do que quer e o assuma… porque no fundo os contos de fada só o são, porque terminam na parte do “E foram felizes para sempre”, mas eu quero a minha história contada com os maus… os bons e os momentos assim-assim… mas não quero o príncipe nem o vilão… quero a personagem que ninguém da conta, mas que nas cenas que aparece sabemos que vai ter falhas, vai cometer erros… mas que vai estar ali do lado… mão na mão…olho no olho para o que for preciso… que vai ser nosso… que somos dele… com tudo o que dai posso advir!
Será assim é pedir tanto?
Esta noite vou deixar de lado a dureza… e vou castigar o corpo tanto quanto sinto magoada a alma… vou treinar até deixar de sentir os músculos… até o suor se misturar com a magoa… amanha visto de novo a armadura brilhante e enfrento o mundo!
Preciso de uma pausa!
Chamemos-lhe o meu momento Kit Kat!
A "Atena" de sempre volta com o raiar do dia!
Aquele a quem já uma vez disseram a ti nada te magoa… tu aguentas tudo…
E aguento… isto tudo e mais um pouco… só preciso mesmo é que me deixem respirar por um momento… porque eu ando… mas ando tão fora de mim que me estou a tornar um perigo publico!
 

Caixa de surpresas!!!!

Uma caixa de surpresas traz emoção
Claro que trazida por mãos amigas
Pode transformar a lágrima em fonte de conforto
E ainda tornar o enigmático em realidade
Há quem goste de abrí-la e ver flores
Há ainda aqueles que sonham com brilhantes
Os mais sensíveis se surpreenderiam com chocolates
Os espertinhos gostariam de alguns dólares
A caixa de surpresas pode ser grande ou pequena
Mas sempre é objeto de curiosidade de todos
Quem a espera pode até tremer de tê-la perto
Já pensou se saísse algo assustador!
Mas existem caixas que trazem muito mais
Que nos causam surpresas que são surpresas
Geralmente inovam sempre e sempre
Estas caixinhas de surpresa valem mais que ouro
Para mim você é: uma caixa de surpresas.
Vera Gaiata

INCÓGNITA

No espelho, travesso curioso menino
Uma mente precoce resolvendo viver
Tímido às vezes atrás de um riso
Intenso, se esconde por trás da inocência
O menino cresceu e olhou para o céu
Buscou contestar com o não
O universo sendo muito normal
Para a ousadia que faz parte da vida
Não sei se o menino sobreviveu
Triste andou experimentou e pôde
Sentir o avesso dos padrões
Desafiador caminha sobre tumultuas paixões
O próprio olhar ver-se em incógnita
As respostas interceptam os conflitos
A verdade é um sonho irreal
Uma revelação que o faz esperar
Feliz, confuso, perdido, louco?
As cortinas ainda o escondem do tempo
Os anos passam e continuam os questionamentos
Há amor, solidão ou somente as ilusões.
 
Vera Gaiata

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....

Francisco Buarque de Holanda

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Snuff

 
Enterre todos os seus segredos na minha pele
Desapareça com inocência, e deixe-me com meus pecados
O ar ao meu redor ainda parece uma gaiola
E amor é somente uma camuflagem para o que parece ser raiva novamente...

Então se você me ama, deixe-me ir
E fuja antes que eu saiba
Meu coração está sombrio demais para se importar
Eu não posso destruir o que não está lá
Me entregue ao meu Destino
Se estou sozinho, não tenho o que odiar
Eu não mereço ter você...
Meu sorriso foi tomado há muito tempo
Se eu posso mudar espero nunca saber

Eu ainda pressiono suas cartas junto aos meus lábios
E as guardo em partes de mim que saboreiam cada beijo
Eu não poderia encarar uma vida sem a sua luz
Mas tudo isso foi dilacerado... quando você recusou-se a lutar.

Então poupe seu fôlego, não irei ouvir
Acho que deixei isso bem claro
Você não poderia odiar o bastante para amar
Isso deveria ser o suficiente?
Eu só queria que você não fosse minha amiga
Assim eu poderia te machucar no final
Eu nunca declarei ser um Santo...
Meu interior foi banido há muito tempo
A esperança precisou morrer para deixar-te ir

Então quebre-se contra as minhas pedras
E cuspa sua pena na minha alma
Você nunca precisou de nenhuma ajuda
Você me vendeu para se salvar
E eu não ouvirei a tua vergonha
Você fugiu - Vocês são todas iguais
Anjos mentem para manter o controle...
Meu amor foi punido há muito tempo
Se ainda se importa, não deixe que eu saiba
Se ainda se importa, não deixe que eu saiba...

domingo, 22 de janeiro de 2012

QUERO DOS DEUSES

Quero dos deuses só que não me lembrem.
Serei livre - sem dita nem desdita,
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos,
Cada um com seu modo, nos oprimem.
A quem deuses concedem
Nada tem liberdade!

 (Ricardo Reis)

LISBON REVISITED

Nada me prende a nada.  
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.  
Anseio com uma angústia de fome de carne  
O que não sei que seja -  
Definidamente pelo indefinido...  
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto  
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.  

Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.  
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.  
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.  
Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.  
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.  
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.  
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...  
Compreendo a intervalos desconexos;  
Escrevo por lapsos de cansaço;  
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.  
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;  
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;  
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.  
Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...  
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,  
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa  
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),  
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas  
Onde supus o meu ser,  
Fogem desmantelados, últimos restos  
Da ilusão final,  
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,  
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.
Por: Álvaro de Campos (1926)

XL - PASSA UMA BORBOLETA

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.

(do "Guardador de Rebanhos" - Alberto Caeiro)

ENGANOS

Mergulhei no passado tentando

compreender o presente de uma vida

e descobrir em tantos enganos

a verdade escondida nas mentiras.

Em que dobra do tempo vivido

ela ficou perdida; oculta nas sombras,

tantas vezes negada ou transformada.

O tempo partilhado com o nada.

O prazer sofrido, sem o gozo

do ideal imaginado; perdido.

A mudança rápida de amores,

deixou a mágoa do vazio;

e, por não ser o amor verdade,

fiquei sozinho, sem compreender

o destino cruel que nos leva

a viver tudo o que não é.
 
Victor Motta
"Uma paixão aqui, um quase-amor ali. Ainda bem que existem amigos para amar, abraçar, sorrir, cantar, escrever em recibos e tirar fotos bonitas. E a vida segue. Feliz. Sua imaginação te preenche, seus amigos te dão colo, vodka e dias incríveis."

Martha Medeiros

sábado, 21 de janeiro de 2012

Nudez essencial

Eu acredito que a maior expressão da intimidade é desnudar a alma. Que, principalmente para isso, há que se ter coragem. Podemos viver uma vida inteirinha sem conseguir perder esse tipo de recato. Desnudar a alma e mostrar para o outro: isso aqui sou eu. Isso aqui também sou eu. E isso e isso e isso. Isso que você não imagina nem em sonho, acredita, sou eu de vez em quando. Isso que nem é confortável admitir porque contradiz, na prática, a minha fala, sou eu. Isso que escapole do meu controle, das minhas estratégias, dos meus planos, do meu discurso. Isso que não acontece no tempo do relógio. Isso que é lugar que está fora de qualquer mapa que alguém possa conseguir para localizar onde estou. Isso que nem sei direito o que é, de tão novo, sou eu. Isso que nem sei mais direito o que é, de tão antigo, sou eu. Isso, lindo à beça, sou eu. Isso, complicadinho assim, sou eu. E mais um monte de coisas que nem posso mostrar porque não conheço ainda e talvez nunca descubra.
Eu acredito que a maior expressão da intimidade é desnudar o que a gente sente. É ser com o sentimento em voz alta. Os corpos, por mais singulares que dadivosamente sejam, são previsíveis; as almas, não. Aí é que entra o amor. Que acolhe. Que abraça. Que quer ver. Que quer ver além das aparências. Amar é sorrir para a nudez essencial do outro com a mesma graça, com a mesma generosidade, com que a gente sorri para a nossa. Com o mesmo afeto. Com a mesma fé. Estamos todos nos despindo, pouco a pouco, nesse strip-tease evolutivo, e sabemos que não é fácil. Há que se ter coragem para ficar nu de alma inteira diante de nossos próprios olhos e, principalmente, diante de outro olhar. Há que se ter coragem para ficar nu, até onde essa nudez nos é possível. Mas, com todo e qualquer embaraço, acho que, no fundo, é essa intimidade genuína que queremos ter cada vez mais com nós mesmos e cada vez mais aprendermos a trocar.
Amar é ver a alma do outro nua e, por tudo o que se vê, apesar de tudo o que se vê, manter o olhar encantado e cuidadoso. O amor não precisa vestir motivos. O amor é nu.

Por: Ana Jacomo
Poesia, ah poesias...
Alegres, melancólicas,
Aquela encontrou o amor
Lembra-me Carlos, não o Drummond

A nostalgia da noite me chama
E aí vem esse tal soneto
O de fidelidade ou de separação
Até a felicidade encontrei com Quintana

Chocolate, ah que delícia...
O antídoto da ansiedade
O veneno que assusta tal corpo
O admirado que não é “mundo novo”

Como te veneram!
O doce que seduziu pela doçura
Velhos, novos, não importa
És aplaudido de pé

Já pensou saborear vocês
Sentir o teu sabor chocolate
Ser servido de poesia e sonho
Ah! Belo encontro dos opostos.
 
Vera Gaiata

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

TRÊS PÉROLAS

Menina mulher que insiste no anonimato
Trás a beleza serena e impulsiva do tempo
O mundo pode não perceber o perfume dessa rosa
Por que se escondes em meio a espinhos?
A fúria às vezes impulsiona sua expressão
Mas seu brilho e sonhos revelam sua ternura...
A natureza rústica talvez a fez assim
Explosão que por vezes dirige seu caminho
Ama, sente raiva e sorri intensamente
É insensata, prudente... depende do momento
Mas persegue sua estrela como poucos
Seu sorriso encanta aqueles que o percebem...
Ei...faceira menina!
Muita gente só vê teu feitio
Talvez se escondas do teu ser
Mas há aqueles que descobrem algo mais
O reflexo interior da lucidez
A doçura por traz dos teus olhos...
Pérolas preciosas...!
Busca seus sonhos sem o gênio da lâmpada
Presentes que saíram da cartola
Trazem a tona os desafios!
 
Autoria: Vera Gaiata

Com o tempo

"Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na freqüência das coisas mais simples. Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano. Como o toque bom do sol quando pousa na pele. A solidão que é encontro. O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado. A lua quando o olhar é grande. A doçura contente de um cafuné sem pressa. O trabalho que nos erotiza. Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos nós que escrevemos. A força da areia molhada sob os pés descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir. A presença da intimidade legítima. A música que nos faz subir de oitava. A delicadeza desenhada de improviso. O banho bom que reinventa o corpo. O cheiro de terra. O cheiro de chuva. O cheiro do tempero do feijão da infância. O cheiro de quem se gosta. O acorde daquela risada que acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas. Todas, simples assim.
Tenho aprendido com o tempo que a mediocridade é um pântano habitado por medos famintos, ávidos por devorar o brilho dos olhos e a singularidade da alma. Que grande parte daquilo em que juramos acreditar pode ser somente crença alheia que a gente não passou a limpo. Que pode haver algum conforto no acordo tácito da hipocrisia, mas ele não faz a vida cantar. Que se não tivermos um olhar atento e generoso para os nossos sentimentos, podemos passar uma jornada inteira sem entrar em contato com o que realmente nos importa. Que aquilo que, de fato, nos importa, pode não importar a mais ninguém e isso não tem importância alguma. Que enquanto não nos conhecermos pelo menos um pouquinho, rabiscaremos cadernos e cadernos sem escrever coisa alguma que tenha significado para nós."
Por: Ana Jácomo

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sou um pouco dos meus amigos,
um pouco da minha casa,
Sou parte do que me faz feliz,
uma parcela de sonhos.
Sou de tudo um pouco, um pouco de tudo.
Sou parcialmente um ser bizarro,
logo, sou um ser humano.
Sou uma saudade ambulante de um passado,
e uma expectativa insistente de um futuro melhor.
Sou o ódio e a simpatia,
o sorriso e a cara amarrada.
Sou os erros que cometi,
e os passos certos que dei.
Simplificadamente; sou uma vida que já viveu,
e ao mesmo, tempo uma vida que ainda está para viver.
 
Deborah Strougo

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tomara que a neblina das circunstâncias mais doídas não seja capaz de encobrir por muito tempo o nosso sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer para ver também um bocadinho de céu.
Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem da confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de busca a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão da felicidade.
Tomara.
 
 "Quem honra aqueles que ama com a vida que leva?
Quem manda monstros para nos matar, e, ao mesmo tempo, diz que não vamos morrer?
Quem nos ensina a verdade e como rir das mentiras?
Quem decide por que vivemos por que morreremos para nos defender?
Quem nos acorrenta?
E quem guarda a chave que pode nos libertar?
É você. Tem todas as armas de que precisa. Agora lute."

Frase retirada do filme: Mundo Surreal - Recomendo, assistam!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

É claro que nem sempre as coisas acontecem como queríamos que acontecessem. Existem momentos em que sentimos que estamos buscando algo que não está reservado para nós, dando murros em portas que não se abrem, esperando milagres que não se manifestam. Ainda bem que as coisas são assim, se tudo andasse como a gente quer, em breve não íamos ter mais assunto para escrever o roteiro dos nossos dias. Quando estivermos diante de situações que não conseguimos ultrapassar, relaxemos. O Universo, embora não consigamos compreender, continua trabalhando por nós em segredo. Nestes momentos em que não podemos ajudar, preste atenção as coisas simples da vida - no por do sol, nas pessoas que passam na rua, num livro - é a melhor maneira de colaborar... Nunca perca suas esperanças, pois algo de bom sempre lhe está reservado.

Por: Cris Quintana

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

MISTÉRIO

Mitos são construídos sobre ti e tua aparência
Há quem te temas e fujas de tua façanha estratégia
Meio tua inusitada visita as faces são despidas.
A realidade pode ser descortinada do véu da mentira.
Suave ou feroz tu chegas pela janela sonolenta
O dia ensolarado ou chuvoso te aplaude
E os covardes se cobrem com as velhas teias da ilusão
O ouro e a prata se transformam em espelhos quebrados
As fórmulas se vêem como mortas folhas que cobrem sonhos
As ilusões insistem em não perceber os teus olhos presentes
Algo absoluto existe, mesmo com tantos relativos
Mas a resposta que chega responde a fragilidade das ideias
Existir porque pensas! É a limitação da tua cegueira
Acordar do labirinto que experimenta os teus pés
Ela existe e é rainha sem coroa de ouro

E a beleza e o horror fazem de ti, MORTE, um mistério.


Por: Vera Gaiata